quinta-feira, 19 de junho de 2008

Não tenhais medo...

Quem nunca sentiu medo??? Quem nunca se sentiu reduzido a nada??? Quem nunca sentiu que era um zero á esquerda???
Nós sabemos que vivemos todos numa dita sociedade de consumo, de concorrência, em que muitas vezes para subir somos capazes de fazer tudo, até de esmagar os outros…o importante é a nossa atitude para nos sentirmos os maiores, os melhores…e hoje vemos que só quem consegue ser assim, esse é que sobe na vida…
Há também aqueles que têm receio, medo de mostrar o que são, preferem ficar nos lugares mais escondidos, preferem ficar mais longe…cristãos com medo…
Jesus Cristo vem dizer-nos… “Não tenhais medo” por três vezes:
- Não tenhais medo dos homens, porque nada há encoberto que não venha a descobrir-se…ou como diz o povo: “A verdade vem sempre ao de cima”…
- Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma…
- Não temais…valeis mais que os passarinhos…



Alguém contava que, um jovem que andava triste e desanimado e foi ter com o professor:
- Venho aqui, professor, porque não tenho forças para fazer nada. Todos dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como é que eu posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor, disse-lhe:
- Sinto muito, mas não posso ajudar. Tenho de resolver primeiro o meu problema. Talvez depois. E fazendo uma pausa, disse:
- Se tu me ajudasses, eu poderia resolver o meu problema mais rápido e depois talvez possa ajudar-te.
- Claro, professor - gaguejou o jovem, logo sentindo-se outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar o seu professor. O professor tirou um anel que usava no dedo mínimo deu ao garoto, e disse-lhe:
- Pega no cavalo e vai até ao mercado. Deves vender esse anel porque tenho de pagar uma dívida. É preciso que tu obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceites menos que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou no anel e partiu. Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava a moeda de ouro, alguns riam, outros saíam, sem ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável, a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel. Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e, assim, receber ajuda e conselhos. Já na escola, diante do professor, disse:
- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
- É muito importante o que tu disseste... - disse o professor, sorridente.
- Devemos saber primeiro o valor do anel. Pega novamente o cavalo e vá até o joalheiro. Quem poderia ser melhor para saber o valor exacto do anel? Diz-lhe que queres vender o anel e pergunta quanto ele te dá. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o vendas... Volta aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
- Diz ao teu professor, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
- 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que, com tempo, eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado à escola para contar o que ocorreu. Depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, o professor disse:
- Estás a ver, tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um "expert". Pensavas que qualquer um podia descobrir o teu verdadeiro valor?
E, dizendo isso, voltou a colocar o anel no dedo.

Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos, andamos por todos os mercados da vida, pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem. Porém ninguém, além do Grande Joalheiro ( Deus), sabe o nosso valor!

Por isso “Não tenhais medo”…

sábado, 14 de junho de 2008

Qual é a minha missão...

Hoje devemos ter a coragem de perguntarmos a nós próprios: Que esforço é que temos colocado na vida para lutarmos contra tudo aquilo que a destrói? Até que ponto estamos conscientes de que o reino de Deus está perto de nós?
Até que ponto eu me sinto chamado para a missão?
Cada um de nós deve desempenhar a sua missão. Esta missão é de todos, cada um tem o seu papel, a sua importância e como diz o povo: “Quem faz o que pode a mais não é obrigado”. Mais do que nos desculparmos com os outros, devemos estar atentos á nossa tarefa. Mais do que olharmos o que cada um faz ou deixa de fazer, devemos esforçar-nos por fazer bem a nossa quota parte…


Alguém contava que um lavrador trabalhava no seu campo, de sol a sol. Um dia, enquanto limpava o suor, olhou para um camionista que passava na estrada e disse para consigo:
- Feliz daquele camionista que ganha a vida sentado e à sombra. Ele pode viajar e conhecer o mundo, enquanto eu aqui agarrado à terra.
O camionista, a um certo momento, foi ultra¬passado por um carro de luxo, conduzido por um empresário. O camionista cobiçou esse carro dizendo:
- Quem me dera ter a vida de um empresário: bom automóvel, sem patrões, sem horários.
O empresário teve de parar num semáforo e viu um avião. Disse então para consigo:
- Como deve ser agradável a vida de um piloto: viaja gratuitamente e conhece o mundo inteiro.
Entretanto, o piloto do avião avistou no meio de um campo um ponto escuro. Verificou que era um lavrador e disse para consigo:
Que bela deve ser a vida calma de um camponês. E eu aqui no ar, longe da minha família e dos meus amigos, nesta vida agitada de um lado para o outro. Como eu gostava de passar a vida no campo!
Talvez um dia o camponês se encontre com este piloto e perca o desejo de deixar a sua activi¬dade de camponês.

Assim somos nós ás vezes…por isso é importante assumirmos que cada um de nós tem uma missão importante a realizar e todos em conjunto trabalhamos a messe…Como dizia S. Gregório Magno:
“Nada há mais frio que um cristão que não se preocupa com a Salvação dos outros”.
Por isso o importante não é olhar para a messe e ver quem trabalha ou não, o importante é descobrirm os que a messe precisa do meu, do teu e do nosso trabalho. Mais do que lamentarmo-nos da crise de vocações, da Igreja etc, é importante darmos o nosso contributo.

sábado, 7 de junho de 2008

Prefiro a misericordia...

Esta deve ser também a atitude dos seus seguidores. Se algum cristão for acusado de ser «amigo dos publicanos e dos pecado¬res», não deve sentir-se desonrado. Porque este é um grande desafio.
Mas para isso precisamos de aprender o que significa” Prefiro a Misericórdia ao sacrifício”. Precisamos de ter tempo para sentar à mesa…precisamos de tempo para dialogar, conversar, conviver…nesta vida onde se corre para tudo, não temos tempo para parar…fazemos tudo a correr…

Alguém contava que num encontro de pais, o assunto era sobre a atitude de escutar os outros, de modo particular, os familiares.
Começou com um testemunho de um pai que disse:
— Eu sinto que preciso de escutar mais o meu filho, que está a entrar na idade da adolescência. Quando chego a casa, cansado do trabalho, tenho dificuldade em dar-lhe do meu tempo. Acho que na minha família, e certamente em muitas outras, existe uma falta de diálogo de pais para filhos.
Uma jovem mulher, falando de mudanças sociais, exemplificou:
— Quando a minha avó ia visitar a sua mãe, necessitava de três dias. Um dia para viajar nos vagarosos transportes públicos desse tempo; um dia para ambas contarem as últimas notícias, tra¬balharem na cozinha e também no jardim; e um terceiro dia para a viagem de regresso.
Quando a minha mãe ia visitar a sua mãe, necessitava de dois dias. Viajava no comboio e geralmente chegava no mesmo dia à tarde. Nesse dia contavam as últimas notícias e, no dia seguinte, era a viagem de regresso.
Quando eu vou visitar a minha mãe, preciso apenas de meia hora. Vou de carro e estou com ela uns quinze minutos pois tenho imensas coisas para fazer em casa.
Se um dia a minha filha me vier fazer uma visita, de quanto tempo terá necessidade?

Era importante pensarmos nisto…ás vezes nem para a família temos tempo…cada vez mais deveríamos ter a coragem de pensar sobre aquilo que Jesus nos diz: “ Ide aprender o que significa, prefiro a misericórdia ao sacrifício”…
Quantas vezes, no dia-a-dia, temos oportunidade de usar de amor para com o outro e passamos ao lado, na verdade é mais fácil o sacrifício.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Nem todo o que diz....


Deus também não fica satisfeito connosco só por fazermos alguma boa acção. Não se entra em comunhão com Ele só com factos prodigiosos, mas renovando a nossa vida e enriquecendo-a com obras de amor a favor do irmão. Por isso não basta dizer “ Senhor…Senhor”…é preciso mostrar por gestos o que dizem as palavras…

Numa reunião de pais, na escola, a professora falava da importância do diálogo e dizia:” Os pais têm de falar com os filhos, não se pode ser um pai ou mãe ausente…eu não vejo como um pai pode andar fora todo o dia e falar muito pouco com os filhos…”
A professora falou…falou…falou…depois deixou um espaço em aberto para que os pais pudessem intervir…
Um pai pediu a palavra e disse: “ A senhora professora tem muita razão…mas sabe como a vida é difícil…olhe por exemplo o meu caso…quase nunca falo com a minha filha, saio de manha e ela ainda está a dormir, chego á noite e ela já se deitou…” A professora interrompeu o pai e disse: “ Como é que o senhor pode deixar que isso assim aconteça…como pode essa moça ter bom aproveitamento se nem o carinho do pai tem…”o pai interrompeu e disse: “ Desculpe…a senhora diz que é importante falar mas não me deixou falar…eu queria dizer-lhe que concordo…mas a verdade é que nós podemos falar de várias formas…eu como não posso falar com a minha filha, temos um sinal em que sabemos que todos os dias estamos juntos…na verdade de manha quando saio para o trabalho ela ainda dorme…e quando regresso à noite ela já dorme…mas ela sabe que todos os dias eu estou junto dela um pouco vendo-a dormir…e nesse pequeno espaço de tempo eu dou-lhe um beijo e dou um nó na ponta do lençol e de manhã quando ela acorda e vê o nó sabe que eu estive com ela…por isso podemos falar e várias formas…no meu caso diria que o importante é gesto…”
A professora ficou de boca aberta…mais tarde quis saber quem era a filha daquele senhor…e descobriu que era a melhor aluna da escola.

As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó... Um nó cheio de afecto e carinho.
Por isso não basta dizer: “Senhor, Senhor”…precisamos de aprender a passar á acção…a palavra é completado pelo gesto…e vice-versa…

E tu, já deste algum nó afectivo hoje?

domingo, 25 de maio de 2008

«A cada dia basta o seu cuidado»

A proposta de Jesus será um convite a viver na alegre despreocupação, na inconsciência, na passividade, no comodismo, na indiferença? Não. As palavras de Jesus são um convite a pôr em primeiro lugar as coisas verdadeiramente importantes (o “Reino”), a relativizar as coisas secundárias (as preocupações exclusivamente materiais) e, acima de tudo, a confiar totalmente na bondade e na solicitude paternal de Deus. De resto, viver na dinâmica do “Reino” não é cruzar os braços à espera que Deus faça chover do céu aquilo de que necessitamos; mas é viver comprometido, trabalhando todos os dias, a fim de que o sonho de Deus – o mundo novo da justiça, da verdade e da paz – se concretize.

Por isso é muito importante aprendermos a viver cada dia, empenhados, comprometidos de modo que o tempo não passe por nós em vão. Vive cada dia como se fosse o último e um dia acertarás…

Alguém contava que um rei passou a vida a fazer guerra aos povos vizinhos. Ao chegar aos 60 anos deu-se conta que não tinha aprendido muito do sentido da vida. Convocou os seus sábios e disse-lhes: — Ide e buscai livros acerca da verdadeira sabedoria.
Eles foram e trouxeram-lhe imensos livros. O rei disse: — Já não tenho idade para ler tantos livros. Fazei um resumo do que eles dizem.
Durante sete anos, resumiram tudo metade dos livros.
O rei disse: — Não tenho tempo para ler tudo isso. Resumi mais ainda.
E foi assim que, passados alguns anos, lhe entregaram um novo resumo de alguns livros. O rei disse: — É muita literatura para a minha idade. Resumi mais ainda.
Os sábios conseguiram redigir apenas um livro para condensar toda a sua sabedoria.
O rei, ao receber o livro, disse-lhes:
— Por favor, peço-vos que resumam tudo isso numa pequena frase.
Foi então que os sábios, depois de muito diálogo, conseguiram redigir uma frase, que dizia assim: «Vive o momento presente».

Ás vezes também nós andamos demasiado preocupados com imensas coisas e deixamos passar o momento presente…
Às vezes andamos demasiado preocupados com o dia de amanhã e esquecemo-nos que o dia de amanha se prepara hoje…devíamos aprender a viver o dia de hoje para vivermos melhor o dia de amanhã…

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ele está mesmo em nós???



















Após a comunhão, quem nos vê fora da igreja, em casa, no campo, no trabalho, quem analisa as nossas acções, quem contempla o nosso semblante, o nosso olhar e o nosso sorriso deveria sempre reconhecer em nós Jesus, que continua a amar, a agir, a falar, a ensinar, a sorrir...Após a comunhão não podemos ficar na aparência: “ Parece que Jesus está nele”…após a comunhão só há uma afirmação correcta: “ Jesus está mesmo em nós…

Alguém contava que numa pequena aldeia, as crianças estavam a preparar-se para a Primeira Comunhão. O catequista ia seguindo o aproveitamento de cada uma e chegou o dia em que devia fazer a lista das que estavam preparadas para receber Jesus.
No grupo havia uma criança com um pequeno atraso mental. Estaria realmente preparada para também comungar?
A verdade é que ela queria comungar. Os seus pais também gostavam que ela também comungasse pela primeira vez.
O caso foi entregue ao pároco. Este interessou-se pela criança. Levou-a à igreja para junto do altar.
Em seguida, apontou para um grande e belo crucifixo. Depois, perguntou:
-Quem é aquele?
- É Jesus.
Depois, o sacerdote apontou para o modesto sacrário e perguntou:
- E quem é que está ali?
A criança imediatamente respondeu:
- É Jesus.
O pároco insistiu:
- Jesus ali na cruz e ali no sacrário? Como pode ele estar nos dois lugares?
- Muito simples. No crucifixo, parece que está, mas não está. No sacrário, parece que não está, mas está.

Depois da comunhão nós somos verdadeiros sacrários…

sábado, 17 de maio de 2008

Trindade...um Deus Amor...


A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Alguém contava que uma professora do primeiro ciclo, que se orgulhava de dizer a toda a gente que não acre¬ditava em Deus, e dizia que Deus não existia, um dia em que se falou na Santíssima Trindade, ela disse aos alunos:
— Hoje vamos aprender que Deus não existe. É uma invenção das pessoas ignorantes. Ainda por cima um Deus em três? Apontando para um aluno, disse-lhe:
— Tó, vês aquela árvore lá fora? — Sim, senhora professora.
— E também vês a relva do jardim? — Sim, senhora professora.
— E o céu? — Sim, senhora professora. É azul e imenso.
— E Deus? Estás a vê-lo? — Não.
— Perceberam, meus meninos? Deus não existe, é um mito. Podemos ver tantas coisas, mas a Deus não vemos, pois não existe! É apenas um mito.
Nesse momento, um aluno pediu licença à professora para lhe fazer também umas perguntas. Ela consentiu e ele perguntou:
— Ò Tó, estás a ver o cérebro da nossa pro¬fessora a raciocinar?
— Não.
— Então podemos concluir que a professora não tem cérebro, não raciocina.
Nós não vemos o rosto de Deus Trindade, mas notamos todos os dias sinais desse Deus que é amor, que é família e que está presente na vida dos homens…

Por isso mais do que querermos entender o mistério da Santíssima Trindade importa contemplarmos Deus que é amor: “ Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho Unigénito para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça mas tenha a vida eterna”…